quinta-feira, 19 de novembro de 2009

24 Horas MotoJornal, 1992 - Honda 900 Fireblade

Tinha começado a escrever para a MotoJornal há pouco mais de um ano. A indústria motociclística mundial apresentava as novidades ainda de forma tímida, para mais nem sempre aproveitadas pelos importadores nacionais, ainda a “ganhar embalo” no que à imagem e comunicação dizia respeito, de maneira que a malta que estava neste meio andava com uma fominha de moto inimaginável. Assim, a possibilidade de organizar um teste de 24 Horas com a novíssima CBR 900 RR, mais do que um evento capaz de oferecer uma reportagem interessante aos leitores da revista ou proporcionar um retorno de imagem alucinante para a marca – foram cerca de 20 as páginas dedicadas - representava um momento único e uma oportunidade fabulosa de curtir com a melhor desportiva do momento na única pista que existia em Portugal.

Para mim significava uma série de estreias. Nunca tinha andado numa pista, ainda não tinha colocado o joelho no chão em curva (pelo menos sem tocar depois com as manetes...) e nunca tinha andado numa moto tão potente. Quando cheguei ao autódromo escolhi o fato e o capacete que melhor me serviam - ainda não tinha equipamento próprio - tendo o cuidado de verificar se estariam desocupados quando chegasse a minha vez. A quantidade de inscritos era grande e esperavam-me dois turnos, um diurno e um nocturno. O Mário tinha garantido a questão dos consumíveis, com dois jogos do novíssimo Michelin Radial, a gasolina era oferecida pela Mobil e a assistência mecânica pela Honda, através do Mestre Saraiva.
A primeira surpresa deu-se ao fim do primeiro turno feito pelo Mário Figueiras, ao entrar nas boxes com o pneu traseiro já bastante gasto. Como tínhamos apenas mais um, o que deveria durar vinte e quatro horas acabaria em menos de uma... A solução foi montar uns M48 e A48, e esperar que nos trouxessem mais alguns jogos. Foi o que aconteceu e conseguiram-se fazer mais de quinhentas voltas, sem que a moto tivesse o mais pequeno problema. O meu turno diurno correu bem e cada volta era uma descoberta, tanto das trajectórias como das reacções da moto. A CBR 900 Fireblade tinha uma frente muito nervosa mas o motor era de uma enorme suavidade, apesar de potente.

O turno da noite foi melhor. Às 3 da manhã mergulhamos num silêncio recortado pela luz, aprimoramos as trajectórias e atingimos um estado de concentração único. Fazer a parabólica a “abrir”, derreter o que o motor tinha para dar e travar com o ponteiro já nos 260 km/h era um chuto de adrenalina a cada volta. Foi a experiência mais envolvente que tive até hoje em cima de uma moto. Perto do final apanhei dois sustos. Já tinha sido avisado que havia coelhos a atravessar a pista, mas só percebemos o que isso significa depois de vermos um a passar à nossa frente. Acabou por correr bem, sobretudo para o coelho, mas fiquei suado. A experiência mais dura foi no entanto ter feito 2:17”, ficando a 2 segundos do Pedrinho Martins. Não gostei e prometi a mim mesmo que não voltava a acontecer.


10 comentários:

  1. Este foi o melhor trabalho da MJ... eu diria (sendo suspeito) de sempre. Esta via - do trabalho original, empenhado, em equipa, envolvendo outros agentes do mercado, etc - seria uma grande ameaça para a, então bastante jovem, Motociclismo. Felizmente esta orientação no seu trabalho acabou por não se repetir, pelo menos com este sucesso, o que para a concorrência teria sido um problema.

    A MJ tinha gente em quantidade e em diversidade para fazer este tipo de trabalho, mas não tinha tempo, por ser semanal. A Motociclismoo tinha tempo, por ser mensal, mas não tinha gente.

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  2. E, Alberto, felizmente que evoluíste, não só nos tempos por volta, mas sobretudo na montagem vídeo! :-D

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  3. Na altura não tinha equipamento para sincronizar os "mix", e o efeito, aceitável para a época, revela-se agora um bodegão... Como nunca é tarde para sincronizar, os meu tempos estão ficar agora, também, um bodegão... Bodeguisse ao poder que a perfeição ninguém a atura!

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  4. Oooooh Tinho 2seg......2 seg do Pedrinho.....como conseguiste sobreviver a isso??? ooooh possa 2 segs ;@)))))

    Bem brincadeira a parte a montagem do video esta girissima......mts parabens!

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  5. Olá, parabéns pelo blog. Gostei imenso de ver o video das 24 horas MJ/CBR900, principalmente porque apareço nele. Sou o "caramelo" de fato Dainese preto que entra nas boxes no turno da noite. Na altura trabalhava na MJ em part-time (Pedro Vitorino). Fiz o mesmo tempo que o Pedrinho Martins e há meia-dúzia de anos tirei a desforra no Estoril, eu numa VTRSP1 e ele numa RSV1000, durante uma resistência. Andamos picadissimos durante 1 turno, o público das bancadas vibrava... mais uma vez, parabéns pelo blog que confirma o que sempre pensei... naquele tempo é que era!

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  6. Boa Pedro, passar pelo Pedrinho é sempre um prazer...

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  7. Olá. Os meus parabéns pelo blog. Gostei de ver os vídeos e as fotos. Ando á procura da revista Motojornal de Janeiro de 1992 onde vem a dedicatória ao meu irmão Luis Abrantes. Ele trabalhava na Motojornal e morreu num acidente de mota à entrada da Ponte 25 de Abril em 11 de Janeiro de 1992. Eu tinha 11 anos na altura e não percebi bem o que aconteceu á minha volta. Hoje com 30 anos tento encontrar algumas coisas relacionadas com ele. se spouber de alguém que tenha esta revista ou o tenha conhecido entre em contacto comigo por favor. Obrigada.
    Rute Abrantes ruth.abrantes@hotmail.com

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  8. Boas, muito bom post.
    Não consegui ver bem a matricula da mota (cbr 900), no entanto tenho quase a certeza se for a mesma que saiu na Motojornal em 92 que sei onde está essa mota e ainda a rolar. Sou de Campo Maior (Alentejo) e é de um amigo meu, foi comprada pelo irmão e ainda não saiu da família dele.
    Grande mota sem duvida, tenho uma 954, mas essa ainda mexe e bem como às vezes tenho o prazer de presenciar, principalmente quando o primeiro comprador lhe pega.
    Só queria partilhar esta particularidade.
    Abraço,
    Carlos

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    1. Bom dia,
      Realmente é curioso conhecer a "vida" de algumas motos. Algumas ficaram famosas, sobretudo as que correram, mas outras mais anónimas também têm muito para contar. São como as pessoas!
      Boas festas e felicidades!
      Alberto

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  9. Obrigado e Boas Festas para si também,
    Carlos

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